quarta-feira, 23 de março de 2011

Guiar ovelhas??


Ontem estava alguém cá em casa a seguir o terço por uma estação de rádio qualquer, coisa que me fez revirar os olhos quando me apercebi (sim, a minha tolerância neste ponto é escassa). Depois de 3 minutos de sermão do padre, que pela voz aparentava ser alguém ainda jovem, ouvi algo que me fez lembrar todos os motivos da minha discórdia com a Igreja Católica. Dizia o padre cheio de convicção: “O pastor tem a obrigação de guiar e proteger o seu rebanho. Evitar a fuga de ovelhas tresmalhadas e ensina-las o caminho certo a seguir.”

Perante isto nem sei por onde começar! 

Em primeiro lugar, se fosse um dos fieis ali presentes sentir-me-ia no mínimo ofendida por me atirarem para a categoria de gado.
Em segundo lugar, este “guiar” soa imenso a manipulação e subjugação à vontade, ao ideal e à pratica religiosa, pois vejamos: ninguém quer saber se os fieis fazem ou não uma boa gestão do seu dinheiro desde que contribuam para a paróquia. Ninguém quer saber se os fieis são felizes com o casamento que têm desde que não se divorciem, ninguém quer saber se amam A, B, ou C, desde que seja alguém do sexo oposto, ninguém quer saber que condições têm para criar um filho, desde que não interrompam a gravidez, ou seja, ninguém quer saber do indivíduo desde que o interesse e os valores da Igrejas estejam garantidos. É assim que um pastor protege o seu rebanho? Pois a mim parece-me que se está a proteger a si mesmo…

É por estas e por outras que preferi escandalizar toda a gente aqui de casa ao responder à última pergunta dos census “Sem religião”, do que dar uma resposta hipócrita como a restante família, que também só se lembram que são católicos na hora de pedir milagres.

sábado, 12 de março de 2011

Manifestação

"Geração à Rasca"... Primeiro de tudo não gosto deste nome! Além de ser extremamente incorreto.
À rasca estão as gerações todas, neste momento. Não apenas os jovens.

A manifestação de ontem mostrou bem isso, porque saíram à rua pessoas de todas as idades, que se reviram no grito de protesto. E este sim, pela primeira vez desde o 25 de Abril soou alto, embora tenha chegado em timbres diferentes à população, consoante ao canais que acompanharam. A Sic deu a cobertura necessária, tentou não mostrar muita importância, pelo que foi dividindo a atenção com o protesto dos professores precisamente quando a manifestação estava no auge e nunca mostrou a verdadeira dimensão do evento, não só avançando com números reduzidos, como mostrando apenas partes da marcha em separado, para não contrariar os próprios números.

A TVI conseguiu ser ainda pior e avançar com dados ainda mais errados, de que em Lisboa seriam cerca de 90 mil pessoas, sem falar da cara de pleno gozo que o pivô do Jornal Nacional manteve ao longo de toda a notícia, como se se tratasse de meia duzia de miúdos a reclamar a existência de TPC’s.

Curiosamente a surpresa veio do canal do estado. A RTP teve uma cobertura exemplar, rigorosa, mostrando todos os aspetos importantes e a verdadeira dimensão do acontecimento, completamente isenta de opiniões.

Sinceramente, não esperava por uma aderência destas vinda de uma população há anos desabituada a grandes protestos e muito menos quando pensamos que foi convocada pelo Facebook, mas parece que tenho subestimado o poder desta rede social.

Agora fica apenas a duvida se isto adiantou para alguma coisa, porque estou convencida que infelizmente não será o suficiente para resolver nada. Obviamente a violência não é solução em circunstância alguma, mas notícias de marchas pacíficas entram por um ouvido do Sr. Sócrates (ninguém diga que não sou educada), saem pelo outro a 100 Km/h e não há Manifesto nenhum que o demova. Assim sendo, tenho apenas uma pergunta para os Homens da Luta, que passaram a tarde a cantar “Luta, luta. Camarada luta.”: e agora lutamos como?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Imaginarium

 

Ora então os meus queridos Nightwish vão fazer um filme…

É engraçado porque sempre me convenci que um dia o Tuomas iria deixar a banda para se dedicar à composição de bandas sonoras para filmes. Mas como este senhor tem sempre de nos surpreender resolve ele mesmo fazer um filme onde possa incluir a música dos Nightwish. É, é bem pensado.

Obviamente não estou à espera de nenhuma superprodução que chegue aos Óscares mas a verdade é que o espírito perfecionista a que banda sempre nos habituou dá alguma segurança em relação à qualidade. E dizer mais do que isso por enquanto é pura especulação.

Em relação ao album… tenho sérias dúvidas. Depois da grandiosidade de Dark Passion Play é dificil pensar que se podem superar e fazer algo ainda melhor, mas gosto de acreditar que sim.

Vamos esperar (ainda mais) para ver o resultado final.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Noivado do Sepulcro

Depois de um dia particularmente complicado (ok, talvez a semana inteira), este poema não me saiu da cabeça.

Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soouu;
Que paz tranqüila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.


Que paz tranqüila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
Dentre os sepulcros a cabeça ergueu.


Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na mormórea cruz.


Ergueu-se, ergueu-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.


Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre os ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:


"Mulher formosa, que adorei na vida,
E que na tumba não cessei de amar,
Por que atraiçoas, desleal, mentida,
O amor eterno que te ouvi jurar?


Amor! engano que na campa finda,
Que a morte despe da ilusão falaz:
Quem dentre os vivos se lembrara ainda
Do pobre morto que na terra jaz?


Abandonado neste chão repousa
Há já três dias, e não vens aqui...
Ai, quão pesada me tem sido a lousa
Sobre este peito que bateu por ti!


Ai qão pesada me tem sido!"e em meio
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.


"Talvez que rindo dos prostestos nossos,
Gozes com outro d'infernal prazer;
E o olvido cobrirá meus ossos
Na fria terra sem vingança ter!"


- "Ó nunca, nunca!" de saudade infinita,
Responde um eco suspirando além...
- "Ó nunca, nunca!" repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.


Cobrem-lhe as formas divinais, airosas.
Longas roupagens de nevado cor;
Singela c'roa de virgíneas rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.


"Não, não perdeste meu amor jurado:
Vês este peito? reina a morte aqui...
É já sem forças, ai de mim, gelado,
Mas ainda pulsa com amor por ti.


Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
Da sepultura, sucumbindo à dor:
Deixei a vida... que importava o mundo,
O mundo em trevas sem a luz do amor?


Saudosa ao longe vês no céu a lua?"
- "Ó vejo sim... recordação fatal"
- Foi à luz dela que jurei ser tua
Durante a vida, e na mansão final.


Ó vem! se nunca te cingi ao peito,
Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
Quero o repouso do teu frio leito,
Quero-te unido para sempre a mim!"


E ao som dos pios co cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrado, d'infeliz amor.


Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.


Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.


Soares de Passos

domingo, 2 de janeiro de 2011

2011

Agora sim, estamos em 2011 e ainda não sei como definir o ano de 2010.

Grande ingenuidade a minha ao pensar que adiar esta introspeção até o ano ter terminado ia fazer com que fosse diferente… que umas míseras horas alterassem 364 dias de derrotas, perdas, indecisão e dúvidas? Grande burrice.

Mas nem tudo é mau, tive a melhor passagem de ano dos ultimos anos (se bem que aparentemente, ao pé de uma aranha, embora eu não a tenha visto ou talvez tivesse começado o ano com um ataque de pânico e nem quero começar a refletir se isto será bom ou mau sinal – mas acho que nem é sinal nenhum), foi sem dúvida uma noite fantástica, mas não me trouxe nada de novo, muito menos a solução miraculosa para todos os meus problemas e dúvidas. Espero que 2011 se encarregue disso…

Lembro-me perfeitamente que em 2009 a poucos minutos da meia-noite pensar que não queria que aquele ano acabasse nunca. Tinha sido tão bom, tão repleto de vitorias, de ganhos pessoais, de concretizações… que parecia que o simples chegar de um novo ano ia mudar isso. E mudou mesmo.

Bem, depois do melhor começo de ano que podia ter tido, espero que 2011 se revele bem melhor que o ano anterior, se não exijo uma máquina do tempo para voltar a 2009!