Ontem estava alguém cá em casa a seguir o terço por uma estação de rádio qualquer, coisa que me fez revirar os olhos quando me apercebi (sim, a minha tolerância neste ponto é escassa). Depois de 3 minutos de sermão do padre, que pela voz aparentava ser alguém ainda jovem, ouvi algo que me fez lembrar todos os motivos da minha discórdia com a Igreja Católica. Dizia o padre cheio de convicção: “O pastor tem a obrigação de guiar e proteger o seu rebanho. Evitar a fuga de ovelhas tresmalhadas e ensina-las o caminho certo a seguir.”
Perante isto nem sei por onde começar!
Em primeiro lugar, se fosse um dos fieis ali presentes sentir-me-ia no mínimo ofendida por me atirarem para a categoria de gado.
Em segundo lugar, este “guiar” soa imenso a manipulação e subjugação à vontade, ao ideal e à pratica religiosa, pois vejamos: ninguém quer saber se os fieis fazem ou não uma boa gestão do seu dinheiro desde que contribuam para a paróquia. Ninguém quer saber se os fieis são felizes com o casamento que têm desde que não se divorciem, ninguém quer saber se amam A, B, ou C, desde que seja alguém do sexo oposto, ninguém quer saber que condições têm para criar um filho, desde que não interrompam a gravidez, ou seja, ninguém quer saber do indivíduo desde que o interesse e os valores da Igrejas estejam garantidos. É assim que um pastor protege o seu rebanho? Pois a mim parece-me que se está a proteger a si mesmo…
É por estas e por outras que preferi escandalizar toda a gente aqui de casa ao responder à última pergunta dos census “Sem religião”, do que dar uma resposta hipócrita como a restante família, que também só se lembram que são católicos na hora de pedir milagres.
